A Política de Desenvolvimento Produtivo, anunciada hoje pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, conta com diversos benefícios para estimular a exportação de software no País. Um dos principais objetivos do PDP é aumentar a exportação de software brasileiro em mais de quatro vezes, além de prever desoneração de mais de 21 bilhões de reais nos diversos setores beneficiados.
“Esse era o estímulo que faltava para o Brasil ganhar espaço no mercado global de software”, afirma Descartes de Souza Teixeira, diretor do Instituto de Tecnologia de Software (ITS).
Segundo ele, o ponto de maior importância do anúncio está na desoneração da folha de pagamento. “[o setor de software] Trabalha há dois anos com o governo para que fosse olhada essa questão. Ela finalmente foi abordada”, comemorou.
O especialista completou: “Como o INSS é 20% da folha, estávamos perdendo competitividade. Era isso o que faltava para ganhar o mercado local ou para desafiar o crescimento de países como Argentina e Uruguai que cresciam em nossas barbas”.
José Curcelli, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), é mais cauteloso. Ressaltando que o ministro Miguel Jorge usou os mesmos números apresentados pelo setor de software, ele acrescentou: “parece que agora estamos dando um passo. Mas, como depende da aprovação de medidas provisórias, o momento é de espera”.
Curcelli questiona o controle do incentivo para exportação: “Como vai ser feito o controle dentro da empresa? Os funcionários terão carimbos ‘exportador’? É algo que precisa ser trabalhado”.
O presidente da Abes também criticou a idéia de ‘meritocracia’, já que a redução de impostos será dada na medida em que a fatia de exportação das empresas aumentar. “É um fator burocrático. Estamos otimistas, mas precisamos cobrar para que o projeto tenha sucesso, ao contrário da iniciativa anterior”, argumentou.
Fonte: : Vinicius Cherobino, do COMPUTERWORLD